Um ano depois: a mini-floresta urbana do pátio da escola entra no outono
Setúbal · Aniversário

Um ano depois: a mini-floresta urbana do pátio da escola entra no outono

Setembro 2026

Hoje começa oficialmente o outono — e é também o primeiro aniversário de uma das mini-florestas urbanas mais jovens de Portugal. Há exatamente um ano, num canto do amplo pátio da Escola Secundária Sebastião da Gama, em Setúbal, cerca de 150 árvores e arbustos nativos transformaram 50 m² de terreno num refúgio climático em miniatura. Voltámos ao local nesta data simbólica para ver o que mudou.

Um pátio amplo, um canto por aproveitar

Antes da plantação, este pedaço do pátio não estava a ser usado para nada em particular: terra batida, ervas espontâneas, um canto que ninguém atravessava com propósito. Não havia obras nem planos de construção — havia, simplesmente, espaço amplo à espera de outra função.

Em setembro de 2025, alunos, professores e parceiros trocaram essa espera por uma tarde de trabalho em conjunto: buracos, adubo, e cerca de 150 árvores e arbustos nativos plantados lado a lado, segundo o método Miyawaki.

O que muda num ano

Um ano depois, o contraste é visível a olho nu. Onde havia terra exposta há agora um emaranhado verde denso — algumas espécies já acima da altura de quem as plantou, outras ainda a ganhar forma junto aos tutores de bambu que as seguram enquanto enraízam.

As fotografias mais recentes, tiradas no próprio dia do aniversário, mostram esse crescimento em detalhe: folhas novas, ramos que se cruzam e, à volta, os primeiros sinais do final do verão — teias e sementes suspensas na luz, entre vegetação seca e vegetação que continua verde.

O outono como primeiro teste real

Uma mini-floresta urbana não se mede só pela altura das árvores. Mede-se também pela forma como se comporta quando a estação muda. O outono traz menos calor extremo, mais chuva e a queda de folhas que devolvem nutrientes ao solo — o primeiro grande teste de auto-suficiência desde que a rega intensiva dos primeiros meses foi reduzida.

Nesta ilha, sensores Ecowitt instalados no terreno medem em contínuo a humidade do solo e a temperatura do ar. Esses dados vão ajudar a confirmar se a mini-floresta consegue atravessar o outono e o inverno com cada vez menos apoio externo — a diferença entre um jardim que depende de manutenção e um refúgio climático que se sustenta a si próprio.

Os guardiões continuam

A responsabilidade por esta ilha nunca foi só dos adultos. Desde o primeiro dia, várias turmas do 8º ano assumiram o papel de guardiões da floresta — e continuam a passar por ali, a observar o que cresceu, o que floriu, o que mudou desde a última visita.

Esta plantação juntou a Lisnave, a ENA — Agência de Energia da Arrábida, e a Câmara Municipal de Setúbal, e nasceu integrada no programa "Osaka em Portugal", no âmbito da Expo 2025 — ligando este pátio de escola a uma rede internacional de cooperação entre Portugal e o Japão, país de origem do método Miyawaki.

Uma entre muitas mini-florestas urbanas

Esta é uma de nove mini-florestas urbanas já plantadas pelas Ilhas de Biodiversidade em Portugal — cada uma um pequeno refúgio climático dentro de um espaço que, de outra forma, continuaria por aproveitar: um estaleiro naval, um pátio de escola, uma zona técnica de universidade. O outono que começa hoje vai passar por todas elas, e vamos continuar a documentar o que ele revela.

Ver esta ilha

Escola Sebastião da Gama → página completa, dados e fotografias desde o dia da plantação

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